agosto 31, 2009

>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 8 )<<<<<<<<<<


mar á pedra . . . do Guilhim . . .

esculpi no vento
das nortadas do conforto
o rosto do teu silencio
quando dizias que me amavas,
mudas palavras ecoadas
no brilho do teu olhar
do qual eu fiquei preso
em cativeiro sem grades
á mercê dos teus caprichos
entre sorrisos mordazes
que relaxam os meus sentidos.
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agosto 27, 2009

>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 7 )<<<<<<<<<


o Mar da Nazaré, hoje, picadinho . . .

sinto o apelo
das noites de insónia
em que acordado ficava
com medo de te perder
e te embalava
como vigia atento
em ti mergulhado
vivendo os teus sonhos
ordenando aos deuses
que na esperada manhã
o sol te acordasse
com raiados beijos.
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agosto 24, 2009

>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 6 )<<<<<<<<<


Saudade ? Nostalgia ? não, Beleza !

quando tu passas
amarro-me á timidez
refreando os meus ímpetos
de desposar teus afectos,
sou a sombra que te aguarda
no trilho das tardes quentes
absorvendo teus gestos
nas ondas do entardecer
e na noite que nos espera
cavalgando as madrugadas
dedilhamos destemores
nos murmúrios compassados.
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agosto 21, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 5 )<<<<<<<<

ai, se as "bocas deste mundo" tivessem esta transparência . . .

não me encontro
por mais que me procuro,
encalhei no vazio leiloado
lance gorado
que não quis arrematar
para o encher de mim
e que o teu grito aproveitou,
não foi lote ao desbarato,
licitaste o nosso apreço
definindo o teu apego.
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agosto 17, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 4 )<<<<<<<<


quem será o fogo ? quem será a luz ?

anda, vem ver
a ateada madrugada
archotes ardentes
crepitando auroras,
são fogos sagrados
inflamando chispas
onde tu e eu
somos carvão e lume
e nos poros fundidos
moldados na noite
nós, nos perguntamos,
quem será a chama ?
quem será a brasa ?
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agosto 14, 2009

>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 3 )<<<<<<<<<


ao som do marulho

se eu fosse alado
voava os teus sonhos
para satisfazer
todos os teus desejos,
minhas asas rasavam
rentinho aos teus olhos
tentando descobrir
os teus horizontes,
ai, se tu me atirasses
a seta matreira
ao alvo que eu sou,
no crepúsculo cingidos
noivávamos a noite
ao som do marulho
núpcias abarcadas
em lençóis de mel.
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agosto 11, 2009

>>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 2 )<<<<<<<<


torrentes maduras

acordei
no meu abraço
regaço
do vento cru,
sou nuvem despida
desnuda, sumida
nas fortes bátegas
do meu desnorte,
que me afastam
das palavras puras
torrentes maduras
de vagas que alastram
a sabedoria
que demanda as marés,
na poesia,
que tu . . . és.
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agosto 08, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>poemas estivais ( 1 )<<<<<<<<<


Marés de Agosto - Cuidado

o amor
é uma papoila
ondulante
uma seara cantante
o vento
do pensamento
é um sorriso de criança
que dança e contradança
valsa alada
amarrada
nas asas de uma gaivota
na rota
do teu navegar
pelo meu mar
onde a minha voz
entre ondas gestuais
soltam ais, muitos ais,
de ti, de mim, de nós.
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agosto 03, 2009

>>>>>>>>>>>>>>reflexos retratados<<<<<<<<<<


prateando a claridade

deixa-me espelhar
a luz que reflectes
reenviando imagens
do êxtase que há em mim,
reflexos retratados
de surreais encantos
prateando a claridade
nas imateriais visões,
onde focos metafísicos
de abstracta beleza
emolduram o palanque
de olhares resplandecentes.
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julho 30, 2009

>>>>>>>>>>>>>abismos de sofreguidão<<<<<<<


La Mer

quero voar
na aragem que emanas
executando cabriolas
nos faróis dos meus instintos,
quero dançar
com o agoiro dos teus olhos
abismos de sofreguidão
na falésia dos sentidos,
quero navegar
no suor da tua pele,
chuveiro de poros agridoces
transpirando brasas ardentes
na fogueira que me acalma.
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julho 27, 2009

>>>>>>>>>>>>que me picaram a alma<<<<<<<<


bandeira vermelha - hoje

os teus cabelos
são fios de chocolate
teias de aranha - viúva
que me picaram a alma,
são enleios desmedidos
novelos de febres soltas
cálices de sede ateados
na fonte dos labirintos,
são securas desgrenhadas
impregnadas de sabores
moldados no breu da noite
onde tudo se mistura.

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julho 24, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>>nada mereço<<<<<<<<<<<<


macaréus - hoje ás 11 horas

de ti
nada mereço
nem a angustia
que me consome,
sou um choro embaciado
carpindo estéreis açudes
na beleza fugidia
de um jardim abandonado,
onde mudos violinos
vibram amargos prantos
instrumentando destinos
nas grades do meu canteiro.
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julho 22, 2009

>>>>>>>>>>>na âncora que nos amarra<<<<<<<


videado em Dublin adagiando os secret garden

subi ao cume
do meu desespero
onde as palavras
espiam as culpas
do tempo perdido,
neguei-te
no algures de mim,
mas o teu perdão
foi o meu pesqueiro,
reencontrada rede
desenleada
cercando os nossos abraços
na âncora que nos amarra.
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julho 19, 2009

>>>>>>>>>>>>>>no bosque aquático<<<<<<<<<


onde marés serenas

na raiz das algas
ao limo cingidas
divagam sargaços
de esverdeado cristal,
lençóis penetrados
no bosque aquático
simulam searas
aguando suspiros
em leito salgado,
onde marés serenas
inspirando afectos
inventam loucuras
compulsando entregas,
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julho 16, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>na teia da imaginação<<<<<<


mar bravo mas leal - nazaré

soltei
as minhas mágoas
na teia da imaginação
bolhas sem ar
espreitam
as janelas defumadas
trancando
a luz baça da catedral
onde
velas pardas
incensam olfactos
e
movem o veleiro
que espera por nós.
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julho 13, 2009

>>>>>>>>>>>>>vou adrenalinar o mar<<<<<<<<<


vou estampar o areal

esta manhã dia 15-7 o mar estava "assim" - Cuidado


vou mexilhar o verão
no bronze do meu sorriso
embebedando de brilhos
os raios solares transviadas,
vou adrenalinar o mar
num colchão de gema-sal
leito de prenhes marés
de gaivotas confluíndo
imitando annas pavlovas
nas acrobacias bailantes,
vou estampar o areal
de peugadas desinibidas
passos ventosos ecoando
no pináculo dos afectos,
torres de pano erguidas
contrabandeando segredos.

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julho 10, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>pasmos sequiosos<<<<<<<<<

em cima Peniche - em baixo Nazaré
na fonte da vida - em Braga

no ventre da sede
securas aladas
aconchegam afectos
sorvidos no vento,
marulhos sedentos
incrustam apelos
despindo o passado
das minhas renuncias,
na fonte da vida
brotam enxurradas
pasmos sequiosos
desenfreando anseios.
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julho 07, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>porque será ?<<<<<<<<<


passas e repassas

porque será
quando me encontro
em ti me perco
sem te encontrar ?
porque não evito
nas minhas procuras
esculpir teus gestos
em suspensas esperas ?
porque finges
que não me procuras
e como louca
passas e repassas
no ponto de encontro
que é só meu e teu ?
porque será ? . . .
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julho 05, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>>vestidos de verde<<<<<<<<<


pendurava poemas

fosse eu arvore
folheava sombras
em pleno inverno,
nos ramos despidos
pendurava poemas
vestidos de verde,
e na primavera
nos abraçados rebentos,
cantava os outonos
filhos dos estios,
ouvindo Vivaldi
nas quatro estações
que esperam por mim.
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julho 03, 2009

>>>>>>>>>>>>>> na terra das águas <<<<<<<<<


na terra das águas

na terra das águas
os peixes são poemas
pescados nas brumas
do meu pensamento,
são escritos no mar
com anzóis de escamas
impressos no espanto
dos livros salgados,
na terra das águas
ouvem-se melodias,
luzidios acordes
cantadas pelas algas,
que dançam, boiando,
salivando beijos.
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junho 30, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>> o barco de barro <<<<<<<<<

desafio lúdico: passos voantes
da: Carmen - http://anseiosdaalma-etc.blogspot.com/

a quilha derrete

na barra da espera
do meu navegar,
o barco de barro
a quilha derrete
entranhando o mar
de argilas estranhas,
onde segredos barrentos
barrando incertezas
escondem nas águas
o barro que eu sou.
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junho 28, 2009

>>>>>>>>>>>onde será o meu tempo ?<<<<<<<<<


um mar tocado a sudoeste

se o passado já findou
e o futuro
ainda não nasceu
o que faço aqui ?
onde será o meu tempo ?
e se eu não existo ?
talvez, não sei ...
só sei,
que estou á deriva
sem passaporte,
na procura do cais
do meu sonhar,
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junho 26, 2009

>>>>>>>>>>>>>>>>>foi o momento<<<<<<<<<<


mar . . . edredão bordado a prata

foi o momento
não antes ou depois,
foi o tempo certo
que a tempo inventei,
trajei-me de folhas
e molhos de brilhos
fogachos de sol
alumiando aloés,
vesti o despudor
edredão bordado
cobrindo de insónias
os sonos dormentes
que morrem sozinhas
esquecidas . . . na noite.
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junho 24, 2009

>>>>>>>>>>>>>nas pregas do sal<<<<<<<<<<<


diamantes de pedra em cristal aquoso

soluço mergulhos
nas pregas do sal
ritmando as ondas
no cristal aquoso,
rasgadas janelas
de untados salitres
escondem iodos,
bronze desaguado
infiltrando os poros
nos gonzos da pele.
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