
Natureza, minha Mãeolhai os rebentos e raízes
dos troncos distribuindo vida
segurando e renovando as ramagens
fonte oxigenada da existência,
homem, quando te convences
que a Terra não te pertence ?
vou arriscar uma pergunta,
os grandes decisores terão filhos ?
e se os têm pensarão neles ?
fartem-se senhores do mundo
nos seus banquetes de células vazias,
abutres de asas surdas
pelo ranger dos cofres que os amarram
em cheiros de pestilenta corrupção,
vegetarão acorrentados ao extermínio
que vêm semeando por onde passam,
digam-me deuses da destruição,
se saberão libertar o pensamento
e voarem na vastidão dos sonhos
que nos querem roubar ?
e que nos poemas que ignoram,
feitos canteiros vadios,
o pólen se perpetua ?
não esqueçam senhores tiranos,
que atrás dos tempos vêm tempos
e que outros tempos hão-de vir . . .
poema-fotos.video:poetaeusou